Educação não consiste apenas em boas maneiras, é algo mais amplo, mais profundo, porque envolve o desenvolvimento da vontade, os problemas da saúde física, da higiene mental, da formação moral. Olga Brandão de Almeida

Função paterna - Por Olga Brandão Cordeiro de Almeida

Ao pai cabe a importante incumbência de dar a cada membro da família segurança econômica e de sentimentos.
Tal segurança permitirá à mulher desempenhar o papel de mãe sem maiores preocupações.

A vida atual, porém, com um mecanismo tão complicado, absorve o homem que anda com a existência interior vazia e o senso de responsabilidade atrofiado.

Ao regressar à casa, depois de um dia de trabalho, enfrentando filas e condução, o chefe de família se sente desejoso de calma, repouso e… isolamento. Outros, solicitados por inúmeras distrações, saem para os cafés, jogo e outras mundanidades. Os dias de folga marcam horas de afastamento da família porque filhos e pais têm seus grupos separados.

Desse modo, desaparece a intimidade no seio da família e o diálogo, tão importante no plano educativo, torna-se superficial, sem nenhum sentido. A figura paterna, cuja presença é indispensável, escasseando, vai-se apagando na mente dos filhos. Esses, têm necessidade do pai para defendê-los do mundo lá de fora que seduz, persegue, atordoa e, às vezes, acaba mesmo aniquilando.
A autoridade paterna enfraquece cada vez mais: filhos autoritários e pais sem energia numa luta em que aqueles saem vitoriosos, mas sem nenhuma glória. À proporção que os pais se tornam tão fracos na conquista do bem, os filhos se tornam tão fortes na aquisição do mal.

Absorvidos por uma vida materializada, muitos pais esquecem que o corpo tem um espírito cujas qualidades devem ser cultivadas: inteligência, raciocínio e vontade. Nesse estado, são incapazes de indicar à prole o caminho que tenha um sentido, pois eles mesmos o desconhecem porque se descuidaram de procurá-lo. Tornam-se vacilantes diante das coisas proibidas; sentindo-se cada dia mais incapazes, vão afrouxando e acabam não sabendo contrariar os caprichos dos adolescentes.

— A isto se poderá chamar amor ou maneira cômoda de poupar os nervos?

“A verdadeira autoridade é consequência de um autêntico amor”.

O pai inteligente e enérgico sabe conquistar o amor e a admiração dos filhos para não ser rejeitado nem temido.

— Que adianta proporcionar conforto material, distribuindo custosa indumentária, dinheiro e presentes à esposa e aos filhos, se não sabe despir-se de seus desejos e vaidades, se não sabe colocar-se no lugar dos outros para firmar afeição?
Autoridade, importante função paterna, depende de compreensão dos seres do que significa amor.

Quantos são os pais que, esquecendo a própria infância, não procuram compreender a criança e diante de uma falta, enfurecem-se, gritam, espancam, dominados apenas por um estado emotivo! O filho resmunga, revolta-se, cala-se e… aprende a mentir porque passa a representar a criatura repleta de qualidades que exigem dele. E não conquista personalidade.

Os filhos só poderão desenvolver-se de um modo sadio, se tiverem apoio nestas duas forças diferentes, mas complementares: a paterna, ativa e enérgica; a materna, suave e receptiva.

Quando o casamento é exigência de amor, impõe lealdade e altruísmo.

A verdadeira paternidade exige do homem esforço de compreensão, domínio pessoal, renúncia digna em benefício do grupo.

Tanto a mãe como o pai têm que ser figuras vitais na direção do lar. Lutarão sem oposição: cada um agirá no momento oportuno, assumindo atitude exigida pelo caso.

Tudo isso é muito difícil, mas vale o esforço porque mais difícil é suportar a vida com filhos mal-educados.

Função paterna
Por Olga Brandão Cordeiro de Almeida

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