Tal segurança permitirá à
mulher desempenhar o papel de mãe sem maiores preocupações.
A vida atual, porém, com
um mecanismo tão complicado, absorve o homem que anda com a existência interior
vazia e o senso de responsabilidade atrofiado.
Ao regressar à casa,
depois de um dia de trabalho, enfrentando filas e condução, o chefe de família
se sente desejoso de calma, repouso e… isolamento. Outros, solicitados por
inúmeras distrações, saem para os cafés, jogo e outras mundanidades. Os dias de
folga marcam horas de afastamento da família porque filhos e pais têm seus
grupos separados.
Desse modo, desaparece a intimidade no seio da família e o diálogo, tão importante no plano educativo, torna-se superficial, sem nenhum sentido. A figura paterna, cuja presença é indispensável, escasseando, vai-se apagando na mente dos filhos. Esses, têm necessidade do pai para defendê-los do mundo lá de fora que seduz, persegue, atordoa e, às vezes, acaba mesmo aniquilando.
![]() |
Absorvidos por uma vida
materializada, muitos pais esquecem que o corpo tem um espírito cujas
qualidades devem ser cultivadas: inteligência, raciocínio e vontade. Nesse
estado, são incapazes de indicar à prole o caminho que tenha um sentido, pois
eles mesmos o desconhecem porque se descuidaram de procurá-lo. Tornam-se
vacilantes diante das coisas proibidas; sentindo-se cada dia mais incapazes,
vão afrouxando e acabam não sabendo contrariar os caprichos dos adolescentes.
— A isto se poderá chamar
amor ou maneira cômoda de poupar os nervos?
“A verdadeira autoridade
é consequência de um autêntico amor”.
O pai inteligente e
enérgico sabe conquistar o amor e a admiração dos filhos para não ser rejeitado
nem temido.
— Que adianta
proporcionar conforto material, distribuindo custosa indumentária, dinheiro e
presentes à esposa e aos filhos, se não sabe despir-se de seus desejos e
vaidades, se não sabe colocar-se no lugar dos outros para firmar afeição?
Autoridade, importante
função paterna, depende de compreensão dos seres do que significa amor.
Quantos são os pais que,
esquecendo a própria infância, não procuram compreender a criança e diante de
uma falta, enfurecem-se, gritam, espancam, dominados apenas por um estado
emotivo! O filho resmunga, revolta-se, cala-se e… aprende a mentir porque passa
a representar a criatura repleta de qualidades que exigem dele. E não conquista
personalidade.
Os filhos só poderão
desenvolver-se de um modo sadio, se tiverem apoio nestas duas forças
diferentes, mas complementares: a paterna, ativa e enérgica; a materna, suave e
receptiva.
Quando o casamento é
exigência de amor, impõe lealdade e altruísmo.
A verdadeira paternidade
exige do homem esforço de compreensão, domínio pessoal, renúncia digna em
benefício do grupo.
![]() |
Tanto a mãe como o pai
têm que ser figuras vitais na direção do lar. Lutarão sem oposição: cada um
agirá no momento oportuno, assumindo atitude exigida pelo caso.
Tudo isso é muito
difícil, mas vale o esforço porque mais difícil é suportar a vida com filhos
mal-educados.
Função paterna
Por Olga Brandão Cordeiro
de Almeida
Fonte: