Educação não consiste apenas em boas maneiras, é algo mais amplo, mais profundo, porque envolve o desenvolvimento da vontade, os problemas da saúde física, da higiene mental, da formação moral. Olga Brandão de Almeida

Duas gerações - Por Olga Brandão Cordeiro de Almeida

É muito difícil duas gerações se entenderem quando a falta de esclarecimento as separa. Entre elas, forma-se um vazio e, quanto maior for o progresso do mundo como no decorrer deste século, maior será o vazio que poderá tomar as proporções de uma brecha. É o que está acontecendo atualmente, é o que está exigindo uma iniciativa dos adultos.

Enquanto os olhos estiverem fixados somente nas dificuldades e falhas, não haverá solução para um problema que oriente a juventude tão necessitada de amparo.

Melhor será que os mais velhos não se perturbem com as situações inquietantes e coloquem o pensamento acima das aparências que cegam.
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Os adolescentes experimentam nas amizades um bem-estar que não se esgota. Encontram, nas relações que escolhem fora do círculo familiar, um encanto irresistível. E formam um mundo à parte que estabelece afinidades marcantes. As reações igualam-se: conversam, têm os mesmos gostos, lêem os mesmos livros, riem, dançam e cantam juntos. Usam de um vocabulário próprio; chegam a entender-se por meias palavras, verdadeiro código de gíria que revela a confusão da própria personalidade.
Quem se dispuser a olhá-los com serenidade, pondo de lado o estado emocional, verá que a alegria que os envolve quando encontram novas relações é tão grande que chega a assemelhar-se à de um cientista que consegue uma descoberta.

Muito cuidado devem ter, portanto, os responsáveis com as companhias dos adolescentes. As amizades de hoje criam neles raízes profundas, que vão influenciá-los futuramente, redundando num bem ou num mal. Muito discernimento com as amizades que só desejam receber, mas não sabem dar o mínimo sequer; com as gozadoras, cuja única preocupação é a exaltação do prazer; com as frívolas, verdadeiras falenas a esvoaçar doidamente, atraídas pela chama dos prazeres que as destruirá e sem pressentir o desencanto e sofrimento que provocam.

Tais relações têm um traço comum: o desejo de gozar, a coragem para a indisciplina e todas as audácias, revoltas surdas ou declaradas contra os deveres familiares, desvios de consciência: “Se todos acham bom, eu também vou achar”.

Há, em tudo isso, um verdadeiro relaxamento da vida moral, capaz de cortar as asas do entusiasmo para uma tomada de atitude, capaz de anular qualquer esforço para sair da mediocridade.

Os defeitos psicológicos são verdadeiras doenças que devem ser evitadas como qualquer moléstia.

O mundo interior dos adolescentes ainda não está bem conhecido.

Por serem ávidos de amor, formam, com as pessoas que julgam amigas, forte corrente com elos de confiança. E, embora não o percebam, deixam entrar profundamente tudo que vem por intermédio delas.

Sendo extremamente impressionáveis, sofrem a influência da leitura mais que os adultos. Romances, contos e novelas que contenham ensinamentos da vida humana lhes serão úteis.

Nos gestos e nas atitudes, nas frases que deixam escapar, fazem transparecer a necessidade de mães que procuram orientar-se, para orientá-los, que sabem corrigir-se, para corrigi-los; mas também de pais, que sabem ser enérgicos, sem ser autoritários.

Algo de bom não poderá sair de uma comunidade de jovens em que só há trocas de vulgaridades. Não é para descuidar-se, mas para amadurecer que a juventude tem inspiração de ultrapassar.
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Nada mais belo na vida do adolescente que uma pessoa amiga que lhe ofereça a mão para subir; que lhe dirija um olhar que ampara, um sorriso que encoraja, traçando ambos belos planos para o futuro.

Uma amizade assim é preciso escolher, embora seja difícil encontrar, porque depende de merecer conquistá-la.

Duas gerações
Por Olga Brandão Cordeiro de Almeida

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