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Estas palavras se dirigem
principalmente aos pais que imaginam o filho difícil (criança ou adolescente)
sem prestar atenção à influência do meio familiar, escolar e mesmo dos
companheiros, a qual é decisiva.
Esquecem-se os pais de
que a criança não é um ser nômade, mas uma pessoa que deve adaptar-se a uma
ordem familiar e escolar pré-estabelecidas. Se essa ordem não for favorável,
não haverá adaptação e a criança adquire um comportamento irregular.
Observando bem, existe
uma perturbação afetiva que provoca tal comportamento, cuja responsabilidade
recai sempre sobre a criança, mas foi criada pelos próprios pais. Enfrentam-se,
então, duas responsabilidades: a da criança e a do adulto. Parece ao bom senso
que a maior cabe ao adulto.
É um grave erro punir sem
remediar a causa. Tal erro resulta, quase sempre, da inconsciente perturbação
afetiva dos pais. Essa perturbação, porém, tem origem no conflito conjugal,
mesmo que não chegue ao drama da separação.
Educar é conciliar princípios de autoridade e aquisição de autonomia. Mas a autonomia, que não significa anarquia, somente será conseguida com delimitação de liberdade.
Educar é conciliar princípios de autoridade e aquisição de autonomia. Mas a autonomia, que não significa anarquia, somente será conseguida com delimitação de liberdade.
Pensando assim e
compreendendo que os delinquentes juvenis são vítimas da fraqueza paterna, é
que os pais abandonarão este atual relaxamento de exigência, uma espécie de
atitude demissionária da função familiar. E por uma atitude voluntária ou de
incúria limitam seus próprios direitos.
Errados são os pais que
esbordoam os filhos, mas não lhes vigiam as saídas; que permitem camaradagens
perniciosas e autorizam revistas, romances, filmes ou peças teatrais voluptuosos,
que não protestam contra certas voltas tardias para casa.
A mocidade paga bem caro
o preço de uma liberdade desmedida, que a impede de discernir sobre os
verdadeiros valores.
Se estivesse educada para
a liberdade, os casamentos seriam mais estáveis e felizes. A liberdade de
encontros entre moças e rapazes com naturalidade concorreria até para uma
exigência mais lúcida na escolha para o matrimônio.
Acontece, porém, que os
conceitos antigos sobre o amor e o casamento eram tão rígidos e defeituosos que
suscitaram transformações muito acentuadas, não servindo realmente para
compensar o erro. Tiveram efeito contrário: os encontros pessoais ao invés de
proporcionarem aproximação de afinidades, criaram formas humanas muito
esquisitas, de caráter deformado e atitudes reprováveis.
Refletir sobre as
verdadeiras responsabilidades pessoais é um dever escondido que muita gente não
descobre.
Principalmente na vida
agitada de hoje as mães devem obrigar-se a um repouso, a um recolhimento
indispensável ao seu equilíbrio mental. São instantes preciosos em que
recuperam forças e serenidade capazes de realizar uma tarefa mais importante do
que a realizariam com uma atividade contínua.
Infelizmente, são poucos
os pais que, ao invés de condenarem com calma e ponderação atitudes e atos
defeituosos (o que é muito importante), deixam-se dominar por estados
emocionais de impaciência, raiva e pessimismo.
A conseqüência mais certa
é o rompimento de relações afetivas que têm início geralmente na adolescência,
época em que o filho se opõe conscientemente às imposições. E à mãe é que pesa
principalmente essa situação tão desagradável por estar maior tempo em contato com
a prole. Nervosa, impaciente, inábil, dá origem a um divórcio afetivo que pode
prolongar-se além da mocidade.
Uma atitude exatamente
oposta de ternura excessiva, de mimos exagerados é também prejudicial por não
permitir ao filho a possibilidade de emancipação, podendo mesmo levá-lo às
piores deformações morais.
Se a criança ou
adolescente difícil forem compreendidos pelo meio, podem, graças a um
reajustamento afetivo, atingir o nível normal das crianças ou adolescentes
normais da mesma idade.
Obedecer é amar,
desobedecer é despir-se de afeto.
Quem educa tem
necessidade de conhecer-se a si e a criança.
Na própria infância dos
pais está, quase sempre, a chave do enigma da criança de comportamento
irregular.
A falta de equilíbrio
mental dos pais, a qual eles mesmos ignoram, é em muitos casos a origem da
criança ou adolescente desajustado.
O desenvolvimento da
criança se fará normalmente, desde que sejam satisfeitas suas necessidades
básicas: segurança, ternura e livre atividade.
A criança quer ser amada,
mas repudia não só o amor que oprime como a ternura excessiva que lhe mata a
iniciativa.
A atividade que lhe é
peculiar provém das exigências profundas do espírito, não poderá, portanto, ser
subjugada por uma coação externa.
Substituí-la por uma
atividade que lhe agrade, se não for o único, será talvez o meio mais eficaz
para educá-la.
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A segurança se refere
mais ao aspecto moral que ao material. Decorre da coerência dos regulamentos
impostos, da sensação de sentir-se amada, da satisfação de sua natural
atividade.
— O —
Somente esclarecidos e
com uma visão mais ampla é que os pais poderão oferecer um ambiente normal,
harmonioso e sadio, ou porque já o possuam inicialmente ou procurem conquistá-lo
(o que é mais difícil) por um esforço consciente, visando o bem dos filhos.
Palavras aos pais
Por Olga Brandão Cordeiro
de Almeida
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