Educação não consiste apenas em boas maneiras, é algo mais amplo, mais profundo, porque envolve o desenvolvimento da vontade, os problemas da saúde física, da higiene mental, da formação moral. Olga Brandão de Almeida

Caminhar por si mesmo - Por Olga Brandão Cordeiro de Almeida

A educação não seria tarefa tão espinhosa, se pais e filhos fossem esclarecidos.

“Faça-se a luz” é lei universal, e ela surge seguindo seu destino. Observe-se a luz, que se esbate nas plantas fazendo ressurgir do verde o ar vivificante; a que reveste a casa, para conservar a vida; a que bate no coradouro, restituindo a brancura primitiva; mas, procure-se atrair e compreender a luz que envolve as criaturas e lhes dá os bons pensamentos. Essa é pouco conhecida por não ser deste mundo.

Educação também é luz que ilumina a mão que tira das trevas o ser humano, sacode-o e ensina-lhe a andar com as próprias forças.

Pais esclarecidos devem compreender que os filhos, inconscientemente, os tomam por modelos, mas, conscientemente, identificam-se a eles, quando se comprazem da boa orientação.

“Faça o que eu disser, e não o que eu fizer” é fórmula negativa de educar. Que deformação de caráter encerra esta frase tão ouvida: “Estude meu filho, para agradar a seus pais”. Com raciocínio, a forma seria outra: “Estude, meu filho, para seu próprio bem”.



Se a família é uma instituição, deve ter um regulamento que representa não o desejo pessoal, mas a formulação de direitos e deveres.

A vida humana está sujeita a duas influências: a hereditariedade e o meio ambiente, mas para suplantá-los existe a força da personalidade.

A hereditariedade influi apenas nas inclinações e a prova disso é o comportamento de certos filhos. Não são poucos os casos em que filhos e pais desajustados são criaturas perfeitamente equilibradas. Ninguém herda vícios. Esses aparecem quando o indivíduo se põe em contato com o mundo exterior.

Outro fator de muita importância no campo educacional é o grau de espiritualidade de cada membro da família. Observe-se que, entre os familiares, não são tão fracos nem tão dotados uns quanto os outros. Mas, o corretivo é a educação que faz do educador conseguir arrancar de cada vício o germe da virtude.

Pensando bem, tudo no Universo deve manter-se em equilíbrio. A avareza nada mais é que a hipertrofia da economia, assim como a desobediência pode ser, em certos casos, a afirmativa de personalidade.

O papel dos educadores nunca será o de anular os defeitos por meio de conflitos, nem considerá-los males incuráveis ou congênitos. O mal não está no indivíduo, mas na maneira de educá-lo. Quando é grande a desproporção entre o que pode produzir a criança ou o adolescente em relação ao que se solicita, surge o espírito de oposição, o educando se revolta, perturba-se, torna-se incapaz de compreender os sacrifícios que lhe pedem em favor dos fins que lhe escapam. Mas, diante desse triste cenário, não esmoreçam os pais, porque o perigo está na proliferação dos defeitos e consequentemente no avassalamento.

A principal preocupação dos pais deve ser o aproveitamento das possibilidades de cada filho, fazendo da casa um pequeno mundo que anima, não desencoraja, eleva, não perverte, ampara, não abandona.

O método a seguir será o de ensinar antes de exigir: obediência, conhecimento da verdade, o sentido do dever e do comportamento cotidiano.

Num mundo assim, os filhos serão felizes porque respirarão uma atmosfera de amor, compreensão e trabalho. Não assistirão aos tristes espetáculos dos pais a brigarem diante deles, não ganharão brinquedos que representem destruição, nem assistirão a filmes impróprios à idade.

Mas, para tanto, é indispensável a presença dos pais e principalmente da mãe.

Se a educação não se processar em tais moldes, a família estará concorrendo para aumentar a legião dos que, não sabendo lutar com as próprias forças, tornam-se suicidas, criminosos ou mendigos.

Caminhar por si mesmo
Por Olga Brandão Cordeiro de Almeida

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