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O adolescente, dispondo
de meios de adulto, deseja ser tratado como tal, mas é ainda uma criança:
magoa-se constantemente e comete infantilidades. Atravessa uma fase complexa
que o torna confuso e chega mesmo a confundir certos pais.
Mas afirmar que dispõe de
meios de adulto não significa que possa utilizar-se deles. Para tanto, precisa
de maturidade. Esta é a nobre e espinhosa missão do educador: ajudá-lo a
atingir maturidade em tudo: no comportamento, na inteligência e sensibilidade.
Diante de si, têm os pais
um indivíduo quase adulto, mas continuam a tratá-lo como criança. Esse é o
grande erro! Toda contribuição que o ajude a conquistar personalidade será
aceita, desde que os elementos sejam utilizados na ocasião oportuna: quando
deseja ou tem necessidade deles. É o momento maravilhoso da técnica educativa:
auxiliar quem procura situar-se como adulto. Uma resposta adequada vale mais
que conselhos, castigos, máximas consecutivas, não por serem prejudiciais, mas
por estarem inadequados à natureza do adolescente.
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Quem orienta um
adolescente deve usar da palavra como meio de comunicação de um espírito a
outro, o que significa ser sincero para colher proveito. Sacrifícios inábeis
não ajudam, mas conduzem a resultados imprevisíveis. A tirania anula o senso de
responsabilidade. Coagido, o jovem reúne todas as forças interiores para fugir
ao domínio, contrariando os que o cercam e que, (embora inconscientemente) o
impedem de atingir autonomia para a qual o impele uma força natural — a do
desenvolvimento.
Maturidade no comportamento corresponde ao sentido de autonomia que se não deve confundir com liberdade de fazer o que quiser, mas possibilidade de seguir uma lei, um regulamento por si mesmo. O que possa parecer à primeira vista desobediência é uma atitude de ensaio para a conquista de individualidade. O jovem quer ser adulto e, por isso, não suporta imposições nem castigos aplicáveis às crianças.
Maturidade no comportamento corresponde ao sentido de autonomia que se não deve confundir com liberdade de fazer o que quiser, mas possibilidade de seguir uma lei, um regulamento por si mesmo. O que possa parecer à primeira vista desobediência é uma atitude de ensaio para a conquista de individualidade. O jovem quer ser adulto e, por isso, não suporta imposições nem castigos aplicáveis às crianças.
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Renega sermões; mas precisa de ajuda. Não deve, pois, ser abandonado. Tem
necessidade de alguém que o compreenda, que mantenha consigo um profundo
contato de espiritualidade, sensibilidade e afeição, o que não representa
abdicação de autoridade. Deixar-lhe a responsabilidade do próprio comportamento
é o caminho a seguir. Nem a conversa de igual para igual será a terapêutica.
Não se acredite que o
adolescente rejeite qualquer auxílio, mas creia-se que esteja de acordo com as
leis espirituais. Os princípios que partem dos que o cercam não serão
subentendidos, se forem vividos. Será tão difícil organizar a vida familiar de
um modo tão fecundo que dirija as boas iniciativas?
Exigir do adolescente
confidência incondicional é tirar-lhe o direito de raciocinar, de fazer algo
por conta própria. Exige-se da criança que conte tudo, mas com o adolescente
será melhor não fazer disso uma obrigação, para não sugerir mentira.
Respeitando-lhe os segredos, consegue-se conhecê-los com maior facilidade,
desde que se não faça disso um artifício velhaco. Uma intimidade excessiva
entre um dos pais e o adolescente exclui dos dois a possibilidade de uma vida
pessoal, símbolo de maturidade.
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A evolução do espírito se
processa gradualmente. Qualquer obstáculo a essa evolução, da infância à
adolescência, é prejudicial, pois fixa uma fase difícil de ser ultrapassada. A
prova disso é o sem-número de adultos que não chegam à maturidade.
Inúmeros adolescentes não
conseguem atingir o senso da realidade em consequência da atitude pouco
compreensiva e exageradamente severa dos pais. Então, empregam todo o esforço
para tentar evadir-se, mas só conseguem colocar-se em situação desvantajosa.
Se o pensamento é uma
força, será ótimo fazer um conceito do adolescente que o valorize.
Proclamar-lhe os defeitos, embora com a intenção de corrigi-lo, é obter
exatamente o que se não deseja. Dizer-lhe: “você é um vadio, a vergonha da
turma” é gravar-lhe na mente tal comportamento. Mas imaginá-lo uma pessoa
normal, tornando-se autônomo, amadurecendo, é auxiliá-lo a desenvolver a
faculdade de tornar-se um verdadeiro adulto.
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A maturidade afetiva
prende-se à disposição para o casamento e relaciona-se à faculdade de amar sem
egoísmo, sem o fito único da posse. Depende também de um caráter físico — o da
sexualidade normal.
Auxiliado pela família e
pelas próprias reflexões sobre as experiências da vida, o adolescente toma
conhecimento da natureza humana: diversidade de atitude de acordo com o sexo e
o meio. Guiado espiritualmente, possuído do senso de autonomia e
responsabilidade, ressentido da limitação, procura a companhia que o completará
numa união fecunda de amor.
Os adolescentes
Por Olga Brandão Cordeiro
de Almeida
Fonte:
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