Educação não consiste apenas em boas maneiras, é algo mais amplo, mais profundo, porque envolve o desenvolvimento da vontade, os problemas da saúde física, da higiene mental, da formação moral. Olga Brandão de Almeida

O problema é educação - Por Olga Brandão Cordeiro de Almeida

O progresso da humanidade está em crescente marcha. Exige, porém, para que haja, no mundo, um perfeito equilíbrio, o conhecimento do ser humano como força e matéria. Somente esse conhecimento será capaz de fazer compreender e dirigir a vida.

A prova disso é um constante desvirtuamento do caráter e uma alarmante delinquência juvenil.

Os adultos, anêmicos de espiritualidade, tornam-se imaturos e impossibilitados de guiar a infância e adolescência.

Mas o menor precisa de uma educação que vise além da inteligência e formação profissional a personalidade.

Tal educação se conseguirá mediante um clima favorável em que a autodisciplina aliada à autocrítica consiga uma verdadeira lapidação. Compreende-se que o clima não consiste somente no ar que se respira, mas também nos pensamentos da comunidade em relação aos componentes de cada grupo.

Tanto a criança como o adolescente não podem ser abandonados aos próprios impulsos.

A adolescência é a fase das contradições e vacilações e por isso deve ser vigiada e orientada.

Aos pais e educadores cabe a grande responsabilidade de formar um ambiente capaz de influir na personalidade total do educando.

A mãe, principalmente, é que deve tomar a si a maior parcela dessa tarefa tão delicada quanto complexa.

Por estar grande parte do tempo em contato com o filho, pode conhecer-lhe as boas e más tendências.

Permanentemente vigilante, com um comportamento sereno e esperançoso do que é útil e válido, com uma vida ordenada, contagiará não só os filhos como todos os componentes da família.

A atmosfera em que vive o adolescente é fundamental, por isso tanto pode pervertê-lo como educá-lo.

A juventude, embora rebelde, é também dotada de grande plasticidade e aceita qualquer comando, desde que seja significativo, desde que não a deforme, se a visão do passado for fracionária.

Abandonada aos próprios impulsos, entregue às pressões desvairadas do ambiente social, pode transformar-se no pior dos animais; mal dirigida, utilizará a atividade para os piores objetivos.

Atravessa-se a era da família cujo encargo será o de canalizar e conservar os sentimentos generosos, insistindo nos bons exemplos.

Sem sentimentos de dever, dignidade, trabalho e justiça jamais os pais poderão despertar nos filhos o desejo de aperfeiçoamento progressivo.

A indisciplina é o reflexo de carência ao estímulo de honestidade.

É salutar a influência dos pais que compreendem o valor de se fazerem amados para conseguir uma aceitação interior. A moralidade dos pais é uma grande força de segurança no equilíbrio dos filhos, pois a puberdade e a juventude são fases em que o contágio é evidente.

Urge que a família assuma uma atitude constante em face da vida, da profissão e do mundo; que seja o centro irradiador do esforço educativo no sentido abusivo da força.

Mas para atingir tão elevado nível moral, é preciso conhecer a psicologia do adolescente e criar vivências honestas capazes de elucidá-lo.

É um erro atribuir à adolescência todos os direitos e aos pais e educadores todos os deveres.

Moral é coisa que se recebe no início da vida para desenvolver mais tarde por iniciativa própria.

Não resta a menor dúvida de que a educação se firma na individualidade do educando, mas isso não significa que o educador se submeta aos caprichos da criança ou do adolescente que lhe cabe orientar.

Muitas das restrições sentimentais e humanitárias ditadas pela Biologia, Higiene e outras ciências afins em relação às crises da puberdade põem a Pedagogia em apuros, sem saber como fixar a disciplina.

Mas é evidente que o sentimentalismo conduz a graves erros.

A atitude educativa da família se tornará mais eficiente quando se diferenciar o sentido das palavras domesticação e educação. Por meio daquela, o indivíduo apenas aprende a ser governado; por meio desta, consegue governar-se.

Educar é dar provas de firmeza e coragem, ter hábitos de trabalho e esforço, resistência ao sofrimento.

Saber sofrer é dar provas de boa educação, é compreender o valor do sofrimento como lapidação do moral.

Conseguir tirar dos fracassos e fraquezas uma lição para o futuro é gravar no livro da vida a mais bela página: é saber tirar das ruínas elementos para a construção de um rico edifício que se chama Moral.

O problema é educação 
Por Olga Brandão Cordeiro de Almeida

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