Educação não consiste apenas em boas maneiras, é algo mais amplo, mais profundo, porque envolve o desenvolvimento da vontade, os problemas da saúde física, da higiene mental, da formação moral. Olga Brandão de Almeida

Aprendendo a viver - Por Olga Brandão de Almeida

A criatura nasce para realizar a vida que o espírito traçou.

Para viver, porém, uma vida bem vivida, é importante distinguir sua própria composição: força e matéria. A matéria é o corpo, que precisa de alimento, a força, o espírito, que necessita de luzes.

A necessidade de alimento se revela pela fome, mas a necessidade de luzes se manifesta de um modo diferente: pelo sono — ocasião em que o espírito vai a seu mundo para refazer-se — e também por certas reações, nem sempre compreendidas pelos leigos.

Como conseguir luzes para avivar esta chama interior que ilumina os passos lá fora, que encoraja para as lutas, que refrigera as dores morais? Aprendendo a viver, esclarecendo-se.

Direitos e deveres - Por Olga Brandão de Almeida

Se houvesse uma noção bem clara de direito e dever, a vida se tornaria melhor. Atualmente, todos gritam pelos direitos, mas esquecem os deveres, sem que haja uma reação para coibir tal desequilíbrio. Os desajustes, quer em sociedade ou família, resultam, quase sempre, da falta do cumprimento dos deveres ou abuso dos direitos.

Urge que se faça a criança ou o adolescente compreender que cada direito corresponde a um dever e, mais ainda, que o não cumprimento do dever implicará na perda do direito; mas esse fato não será encarado como vingança nem o direito perdido reverterá na privação de tudo que diz respeito às necessidades vitais. Isso já constitui um programa de educação cujos resultados serão satisfatórios.

A importância dos valores - Por Olga Brandão de Almeida

Limpeza Psíquica
A vida só tem significação quando consiste na procura e aquisição de valores.

Há necessidade de proporcionar aos jovens valores condignos para que eles possam escolher. Valores não se adquirem sob pressão, mas sob estímulo. E estimular é sugerir valor pela força do exemplo.

A honestidade dos pais levará os filhos, em devido tempo, ao mesmo caminho.

Importa compreender que o indivíduo é senhor da própria vida para não cair na infantilidade de atribuir os males ao próximo ou ao destino.

A partir da puberdade, o ser humano não imita passivamente como na infância; procura conhecer o mundo, o valor dos atos e situações em futuro próximo ou remoto para tomar uma direção.

Falsos valores - Por Olga Brandão de Almeida

É doloroso assistir, atualmente, na civilização das massas, à angústia que sofrem os jovens com a destruição de seus autênticos valores.

Por ignorarem a própria estrutura, deixam-se fascinar, com facilidade, pelas aparências. Condenam a mediocridade principalmente nos pais; têm o estado mórbido da grandeza, mas não se aguentam nas alturas;
ostentam auto-suficiência, mas precisam do apoio dos adultos; refugiam-se no sonho e procuram prazeres que despertem fortes sensações. Com tal procedimento, embolam as nobres qualidades do espírito.

Toda pessoa possui, por uma tendência natural, a noção do valor. Essa noção, porém, é, muitas vezes, deturpada por ser uma conseqüência da vida que leva cada indivíduo.

Sentimento de culpa - Por Olga Brandão de Almeida

Muitos males resultantes dos desajustamentos teriam remédio, se houvesse a coragem de um sentimento de culpa.

Se o homem é um ser moral e vive num ambiente ético, todos os seus atos devem ter um índice de valor positivo ou negativo cujas consequências variam na razão direta.

O adulto com senso de responsabilidade se impõe deveres e cumpre-os por mais insignificantes que sejam; não procura inocentar as faltas com motivos fúteis; não mente aos outros nem a si mesmo; não graceja com coisas sérias.

Por tudo isso é impossível colocar os conflitos humanos no campo psicológico, banindo o fator moral.

Harmonia conjugal - Por Olga Brandão de Almeida

O casamento, tão útil ao homem e à mulher quanto à sociedade, deve ser um recíproco dar e receber de valores e sacrifícios.

Algumas inabilidades, embora inconscientes, são, muitas vezes, motivos de fracassos na união tão necessária à vida em comum.

Casamento deve ser palavra de honra empenhada por duas vidas que se propõem caminhar lado a lado, levando à frente resistência e perseverança, deixando atrás egoísmo.

Na união de esposos, relacionam-se intimamente amor e liberdade: ambos se acham em mútua dependência, mas uma coisa é a liberdade para o indivíduo isolado, outra para o casal. Pensar em liberdade, tendo em vista apenas o eu, é puro egoísmo.

A cada um dos cônjuges, refletindo bem sobre as exigências da vida em comum, compete traçar, livremente, os limites da própria autonomia.

Conceito de Casamento - Por Olga Brandão de Almeida

Quem pensa não casa” é adágio que não tem significação para a pessoa esclarecida.

O indivíduo que procura compreender-se e adquirir conhecimentos sobre a ciência da vida e projetá-los em outro não escolherá a esmo. A atração espontânea e durável só existe entre dois seres que tenham afinidades, embora situados em planos diferentes.

O casamento cria entre dois seres não só laços biológicos como espirituais. Cada cônjuge, sem ferir individualidade e autonomia, forma no outro, com o acréscimo que lhe oferece, uma pessoa humana completa, com maior personalidade.

Unir-se a uma pessoa pelo matrimônio é fazer penetrar em si e nela uma nova forma de sentir, agir e realizar. No ser total, marido e mulher, surgirão novos hábitos, diferentes reações psicológicas. É uma verdadeira integração que apresenta maiores ou menores dificuldades, crises e conflitos parcial ou totalmente superados por um constante esforço e boa vontade. E não é em pouco tempo e sem paciência e perseverança que se processa a fusão de duas individualidades. Esse longo esforço de duas pessoas, conservando cada uma consciência cada vez mais lúcida, é que firma o amor conjugal.

O casamento constitui uma nova e importante experiência da vida. Mas a vida representa uma série de situações mais ou menos complexas que exigem dos seres humanos dominação serena e consciente. Conclui-se, então, que o matrimônio concorre para a evolução do espírito na sua passagem pela Terra.

Carta a uma noiva - Por Olga Brandão de Almeida

Recebi, ontem, o convite para seu enlace matrimonial e apresso-me a escrever-lhe.

Algumas reflexões sobre o casamento para quem está às vésperas de casar-se não é nada mau. Isso é que me sugere o assunto desta carta, mas espero que você a receba como prova de afeição.

O momento do “sim” deveria ser acompanhado das seguintes palavras: “Aprenderei a receber meu cônjuge como recebo a vida, sem esperar tudo dele e oferecer-lhe sem obrigar a receber. Serei responsável por ele, mas não o acompanharei nas fraquezas e caprichos”.

Todo drama conjugal, minha querida, resulta do choque do egoísmo: quanto mais forte, mais frágil o elo.

À medida que o egoísta se expande, menos compreende o que se passa com o outro. Torna-se incapaz de adivinhar-lhe os anseios mudos ou declarados.

Casamento é situação de contato que deve ser compreendida no conjunto e nas reações individuais: um ser humano desenvolvendo-se no tempo, a seu lado, mas diferente de você.

Sexo e espírito - Por Olga Brandão de Almeida

Atualmente, o modo por que vem sendo encarada a sexualidade se reflete no desequilíbrio social. 

A vida humana, algo elevada, não pode reduzir-se à satisfação dos instintos, não pode ter como testemunho álcool, fumo e excesso de divertimentos. Voluntariamente vigiado, o instinto sexual perde violência.

Sexo é criação, que tem por finalidade o entrelaçamento de dois mundos: material e espiritual.

A prova disso são os distúrbios causados pela sexualidade que não se prenda a sentimentos elevados.

É falsa toda filosofia que não revela no casamento um único objetivo: união de corpo e alma.

A vida sexual subordinada à consciência esclarecida é que distingue o ser humano da fera. A procura dos baixos prazeres sexuais perturba a existência.

Somente perdura a união conjugal, quando, no amor, se enquadram as características do sexo: o homem, assumindo a responsabilidade de poder, energia e segurança; a mulher, recebendo a necessária proteção para expandir-se na maternidade.

Tão íntima é a relação entre corpo e espírito, que quando o sexo não se define há desvios psíquicos que afastam o indivíduo da vida normal.

A liberdade excessiva que masculiniza a mulher, que a conduz à vida primitiva, reflete-se na sociedade, é o ponto de neurose contemporânea.