Educação não consiste apenas em boas maneiras, é algo mais amplo, mais profundo, porque envolve o desenvolvimento da vontade, os problemas da saúde física, da higiene mental, da formação moral. Olga Brandão de Almeida

Enxerguemos nossos erros - Por Olga Brandão de Almeida

Muitos conflitos seriam evitados, se a pessoa se esclarecesse. A falta de esclarecimento é comparável aos óculos de lentes róseas, que só apresentam as formas bonitas de um céu ameaçador. O esclarecimento faz com que o indivíduo procure não só a origem, como a causa de seus próprios pensamentos e ações.

Infelizmente ainda há muita gente que, teimando em não reconhecer suas falhas e fraquezas, as atribui aos demais ou à natureza das coisas. É a maneira mais cômoda de fugir às responsabilidades e encobrir os defeitos.

Quantas vezes, ao executar mal o trabalho, a criatura descarrega, inteiramente, a culpa em tudo que lhe vem à mente, sendo incapaz de sentir que a deficiência está em si mesma.

A vida cotidiana apresenta os mesmos aspectos: quando alguém pratica o mal ou faz algo errado, a ação é quase sempre projetada em qualquer pessoa ou coisa. É tão fácil criticar os erros alheios quanto difícil enxergar os próprios! Mas, se projetar aos demais erros e deficiências é tão comum que chega a tornar-se um ato inconsciente, convém refletir antes de fazer qualquer julgamento.

Aproveitemos nossas energias - Por Olga Brandão de Almeida

O ser humano tem vários recursos mentais para bem dirigir-se, mas nem sempre sabe utilizá-los.

O pensamento é o mais importante. Através dele, sob a forma de recordações, a pessoa vê fatos passados. Por que não encará-los como experiência e conservá-los ou transformá-los para realizações futuras?

Para isso, entretanto, é preciso ter vontade, é importante saber que o desejo de realizar alguma coisa é uma força e, como tal, não desaparece e deve ser aproveitada.
As grandes descobertas científicas, que bem provam a evidência dessa afirmativa, nada mais são que uma vontade forte e persistente a dirigir a inteligência.

Uma vontade não satisfeita é capaz de alterar o caráter.
Inúmeras são as pessoas que, por não realizarem a vocação, desajustam-se para o resto da vida, se não tiverem a clarividência de pôr em ação a individualidade, superando a situação.

Aprendendo a viver - Por Olga Brandão de Almeida

A criatura nasce para realizar a vida que o espírito traçou.

Para viver, porém, uma vida bem vivida, é importante distinguir sua própria composição: força e matéria. A matéria é o corpo, que precisa de alimento, a força, o espírito, que necessita de luzes.

A necessidade de alimento se revela pela fome, mas a necessidade de luzes se manifesta de um modo diferente: pelo sono — ocasião em que o espírito vai a seu mundo para refazer-se — e também por certas reações, nem sempre compreendidas pelos leigos.

Como conseguir luzes para avivar esta chama interior que ilumina os passos lá fora, que encoraja para as lutas, que refrigera as dores morais? Aprendendo a viver, esclarecendo-se.

Direitos e deveres - Por Olga Brandão de Almeida

Se houvesse uma noção bem clara de direito e dever, a vida se tornaria melhor. Atualmente, todos gritam pelos direitos, mas esquecem os deveres, sem que haja uma reação para coibir tal desequilíbrio. Os desajustes, quer em sociedade ou família, resultam, quase sempre, da falta do cumprimento dos deveres ou abuso dos direitos.

Urge que se faça a criança ou o adolescente compreender que cada direito corresponde a um dever e, mais ainda, que o não cumprimento do dever implicará na perda do direito; mas esse fato não será encarado como vingança nem o direito perdido reverterá na privação de tudo que diz respeito às necessidades vitais. Isso já constitui um programa de educação cujos resultados serão satisfatórios.

A importância dos valores - Por Olga Brandão de Almeida

Limpeza Psíquica
A vida só tem significação quando consiste na procura e aquisição de valores.

Há necessidade de proporcionar aos jovens valores condignos para que eles possam escolher. Valores não se adquirem sob pressão, mas sob estímulo. E estimular é sugerir valor pela força do exemplo.

A honestidade dos pais levará os filhos, em devido tempo, ao mesmo caminho.

Importa compreender que o indivíduo é senhor da própria vida para não cair na infantilidade de atribuir os males ao próximo ou ao destino.

A partir da puberdade, o ser humano não imita passivamente como na infância; procura conhecer o mundo, o valor dos atos e situações em futuro próximo ou remoto para tomar uma direção.

Falsos valores - Por Olga Brandão de Almeida

É doloroso assistir, atualmente, na civilização das massas, à angústia que sofrem os jovens com a destruição de seus autênticos valores.

Por ignorarem a própria estrutura, deixam-se fascinar, com facilidade, pelas aparências. Condenam a mediocridade principalmente nos pais; têm o estado mórbido da grandeza, mas não se aguentam nas alturas;
ostentam auto-suficiência, mas precisam do apoio dos adultos; refugiam-se no sonho e procuram prazeres que despertem fortes sensações. Com tal procedimento, embolam as nobres qualidades do espírito.

Toda pessoa possui, por uma tendência natural, a noção do valor. Essa noção, porém, é, muitas vezes, deturpada por ser uma conseqüência da vida que leva cada indivíduo.

Sentimento de culpa - Por Olga Brandão de Almeida

Muitos males resultantes dos desajustamentos teriam remédio, se houvesse a coragem de um sentimento de culpa.

Se o homem é um ser moral e vive num ambiente ético, todos os seus atos devem ter um índice de valor positivo ou negativo cujas consequências variam na razão direta.

O adulto com senso de responsabilidade se impõe deveres e cumpre-os por mais insignificantes que sejam; não procura inocentar as faltas com motivos fúteis; não mente aos outros nem a si mesmo; não graceja com coisas sérias.

Por tudo isso é impossível colocar os conflitos humanos no campo psicológico, banindo o fator moral.

Harmonia conjugal - Por Olga Brandão de Almeida

O casamento, tão útil ao homem e à mulher quanto à sociedade, deve ser um recíproco dar e receber de valores e sacrifícios.

Algumas inabilidades, embora inconscientes, são, muitas vezes, motivos de fracassos na união tão necessária à vida em comum.

Casamento deve ser palavra de honra empenhada por duas vidas que se propõem caminhar lado a lado, levando à frente resistência e perseverança, deixando atrás egoísmo.

Na união de esposos, relacionam-se intimamente amor e liberdade: ambos se acham em mútua dependência, mas uma coisa é a liberdade para o indivíduo isolado, outra para o casal. Pensar em liberdade, tendo em vista apenas o eu, é puro egoísmo.

A cada um dos cônjuges, refletindo bem sobre as exigências da vida em comum, compete traçar, livremente, os limites da própria autonomia.

Conceito de Casamento - Por Olga Brandão de Almeida

Quem pensa não casa” é adágio que não tem significação para a pessoa esclarecida.

O indivíduo que procura compreender-se e adquirir conhecimentos sobre a ciência da vida e projetá-los em outro não escolherá a esmo. A atração espontânea e durável só existe entre dois seres que tenham afinidades, embora situados em planos diferentes.

O casamento cria entre dois seres não só laços biológicos como espirituais. Cada cônjuge, sem ferir individualidade e autonomia, forma no outro, com o acréscimo que lhe oferece, uma pessoa humana completa, com maior personalidade.

Unir-se a uma pessoa pelo matrimônio é fazer penetrar em si e nela uma nova forma de sentir, agir e realizar. No ser total, marido e mulher, surgirão novos hábitos, diferentes reações psicológicas. É uma verdadeira integração que apresenta maiores ou menores dificuldades, crises e conflitos parcial ou totalmente superados por um constante esforço e boa vontade. E não é em pouco tempo e sem paciência e perseverança que se processa a fusão de duas individualidades. Esse longo esforço de duas pessoas, conservando cada uma consciência cada vez mais lúcida, é que firma o amor conjugal.

O casamento constitui uma nova e importante experiência da vida. Mas a vida representa uma série de situações mais ou menos complexas que exigem dos seres humanos dominação serena e consciente. Conclui-se, então, que o matrimônio concorre para a evolução do espírito na sua passagem pela Terra.