Educação não consiste apenas em boas maneiras, é algo mais amplo, mais profundo, porque envolve o desenvolvimento da vontade, os problemas da saúde física, da higiene mental, da formação moral. Olga Brandão de Almeida

Separação e angústia – Por Olga Brandão de Almeida

É uma ideia falsa imaginar que, sendo o contrato de matrimônio feito por espontâneo e mútuo consentimento, poderá também ser desfeito do mesmo modo. O contrato matrimonial encerra um feito moral de tanta importância, que não pode ser comparado a qualquer outro.

Mostra-nos o bom-senso que há, na vida, muitos atos irreversíveis. A vida dos filhos foi gerada por livre e espontânea vontade dos pais que, nem por isso, podem desfazer-se dela sem cometer um crime.

Só conseguirá paz e durabilidade a vida do casal, se não for envenenada pelo egoísmo e obstruída pela incompreensão. Cada cônjuge tem que ajudar o outro, não no sentido de fazer-lhe todas as vontades e satisfazer-lhe os caprichos, mas com um caráter mais forte e consciente que à primeira vista pareça até oposição: aceitar o cônjuge com paciência e calma, sem, contudo, encorajar-lhe as faltas e injustiças. Fugir a tal objetivo constitui infidelidade.

— Não é para se completarem e aperfeiçoarem que duas pessoas se casam?

Cada membro da família não deve desviar-se da gravitação de solidariedade humana. É uma lei natural cuja transgressão implica na arriscada aventura de não saber viver.

O pior dos roubos - Por Olga Brandão de Almeida

Não furte nunca e muito menos a inocente alegria dos filhos

Foi essa manchete que me chamou atenção ao começar a ler uma das nossas folhas diárias.
O título sugestivo fez-me procurar o conteúdo. Tratava-se de liberdade provisória concedida a um ladrão primário que, desempregado, com mulher e filhos doentes, na noite de Natal, fora preso numa frustrada tentativa de delito.

Admirei a atitude digna do Juiz da 8ª Vara Criminal que, ao conceder a liberdade condicional, num gesto de respeito à pessoa humana, exortava-a ao trabalho honesto e à maneira correta de conduzir-se. Analisei, com tristeza, o calvário que deve ser a vida de um homem que, acossado pelo sofrimento resultante naturalmente de erros cometidos e vícios, chega a tal ponto de penúria, que é impelido ao crime.

É evidente que a vida tem fases que se apresentam adversas, com sérios problemas, mas há, também, para resolvê-los o raciocínio a serviço da vontade.

Atitudes que definem - Por Olga Brandão de Almeida

Se a finalidade da vida é o aperfeiçoamento, não devemos adquirir complexo de inferioridade, mas desenvolver interesse pelos nossos semelhantes, senso comum e coragem.

A vida não pode fugir às leis naturais: tudo deve manter-se em equilíbrio, até os sentimentos. Os complexos, tanto de inferioridade como de superioridade, índices de pessoa anormal, são a causa dos desajustamentos sociais. Somente os ignorantes atribuem ao próximo a causa de seus males. Também não se corrige um erro, fugindo da sociedade, mas procurando conhecer-se.

Vida social, casamento e trabalho são, em cada indivíduo, situações que o definem, levando-o ao fracasso ou ao sucesso. São atitudes capazes de destruir ou criar uma existência feliz. Acham-se tão intimamente ligados que o fracasso de uma parte acarreta o prejuízo do todo.

Sem tal esclarecimento, não é de estranhar os inúmeros desajustamentos matrimoniais que se espalham por todos os recantos. São reflexos do desequilíbrio em que se encontra, atualmente, a sociedade.

O corpo e o espírito - Por Olga Brandão de Almeida

O corpo e o espírito se acham tão intimamente ligados, que não adianta cuidar de um sem pensar no outro.

As reações isoladas e os impulsos são partes de um todo que representa a atitude do indivíduo para com a vida. Graças a esse conhecimento (tão bem explicado através do Racionalismo Cristão), a pessoa se torna apta não só a corrigir as atitudes como a prever os acontecimentos.

Estudar o Racionalismo é compreender esse admirável poder criador da vida, o qual vem de Deus — o grande foco gerador. Esse poder vital se revela no desejo de desenvolvimento e na luta pela sua realização, na vontade de corrigir os defeitos procurando substituí-los pelo sucesso nas mesmas condições. Não podendo parar, a vida luta contra os obstáculos. Tal processo, que se relaciona não só ao organismo físico como ao social, será sempre o ponto visado pelos educadores.

Da necessidade de refletir - Por Olga Brandão de Almeida

O mundo anda convulsionado. Enfrentam-se a coragem e a covardia, a dignidade e a corrupção. Impaciência e intolerância andam de mãos dadas.

Ninguém suportará tal ambiente, se não conservar o domínio do interior, a paz de espírito, tão necessária à sabedoria de viver.

Como espíritos, todos têm suas tarefas que, embora nem sempre percebidas, são muito importantes.

Impõe-se que o indivíduo se convença de que os passos dados na vivência diária repercutem nos acontecimentos futuros e que, direta e indiretamente, ele é responsável por tudo que lhe acontece. Justificar os erros, atribuindo-os ao destino ou à provação, segundo alguns, é querer enganar-se a si e ao próximo.

Sem essa convicção, desaparecerá a necessidade de lutar pela vitória.

Sombrios obstáculos - Por Olga Brandão Cordeiro de Almeida

Todos que têm um pensamento esclarecido, um juízo equilibrado e uma vontade educada, possuem também um desejo de ajudar aos pais na difícil tarefa de educar.

Atravessa-se uma época de real progresso material que está a exigir dos educadores uma mentalidade com justo equilíbrio. Não é demais lembrar aos pais que no conhecimento de si próprio está o domínio do espírito sobre a matéria. Isso é tão importante, que leva o indivíduo a fazer triunfar, à sua volta, o poder moral sobre a força bruta.

Sombrios espetáculos oferecem, às vezes, alguns programas de televisão arranjados, talvez, à última hora, por pessoas inescrupulosas, nos quais mocinhas se apresentam no palco, expondo uma coreografia de baixo nível.

Sombrios espetáculos são também os das adolescentes que, acompanhadas dos namorados, perambulam pelas ruas, numa indumentária e intimidade que fazem estarrecer.

Felizmente, esse grupo ainda é pequeno e assim procede porque os pais ou parentes são incapazes de impedi-las de tomar parte em tais exibições.

Cuide da mente - Por Olga Brandão de Almeida

São tantos os acidentes e as deformações morais na vida moderna, que se impõe dar à mente uma direção acertada.

Não desperta alegria nem oferece condições de saúde uma casa onde não entram a luz e o ar. Nos ambientes claros não se pisa em falso e os animais daninhos preferem os cantos sombrios. Casa arejada não tem miasmas e, por isso, aí se respira tranquilamente. Em cada aspiração não entra somente ar, mas também garantia de sobrevivência.

Se luz e ar são condições de vida, urge que se insista em procurá-los, abrindo janelas, fazendo que raios luminosos cheguem, embora através de telhas de vidro.

A mente é o nosso lar interior. Como a casa material, também necessita de iluminação e arejamento, mas de um foco possante capaz de transpor paredes. Esse foco luminoso são as idéias provindas da inteligência, que é o próprio espírito. 

Aclare sua mente com idéias otimistas sem ódios ou tristezas.

As crises permanentes de choro e os queixumes são reações anormais que fomentam intoxicações emocionais. Aprenda a trancar as preocupações nos momentos em que se distrai com os amigos ou familiares. Os distúrbios emocionais resultantes de desentendimentos familiares extenuam o indivíduo, esgotam-lhe as forças.

A importância do pensamento - Por Olga Brandão de Almeida

Se muita gente conhecesse o valor do pensamento, a vida não estaria tão cheia de infortúnios e mentiras.

Por meio de pensamentos elevados é que o espírito se põe em contato com as Forças Superiores, fortificando-se. Um espírito forte está sempre pronto a enfrentar os obstáculos que a própria vida oferece.

Sugerem boas idéias, as visões do belo e o contato com a natureza. Para bem viver é importante pensar e trabalhar.

Se o espírito é uma partícula da Inteligência Universal, cada um de nós está sujeito às leis que regem o Universo.
Nossa vida deve, pois, cingir-se ao ritmo da natureza.

Há sempre uma enorme atividade em processo, na sucessão das ondas, no fragor constante das cataratas, nos ruídos das florestas, mas tudo em harmonia com as leis naturais. As tempestades surgem e até são benéficas, mas caso se tornassem ininterruptas, ninguém as suportaria.

O sentido do dever - Por Olga Brandão de Almeida

Jamais a criança e o adolescente foram tão valorizados como nos tempos que correm; nunca os educadores precisaram tanto de técnica para dirigi-los, como na atualidade.

Torna-se urgente modernizar e aplicar normas educativas que visem o verdadeiro objetivo: a formação do caráter.

Promessas, ameaças e castigos corporais são meios falsos que enfraquecem a autoridade e não esclarecem o sentido do dever. Educar não é somente castigar, mas, principalmente, corrigir e dirigir.
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Urge que se dê à criança e ao adolescente uma norma de conduta em que a espontaneidade resulte do livre arbítrio bem aplicado. Esse não cede às exigências do temperamento, mas purifica o caráter pelas vitórias alcançadas sobre os impulsos que tanto desvalorizam o homem.

A vida atual tem influenciado poderosamente no comportamento das crianças e dos adolescentes, que se tornam, dia a dia, exigentes, indisciplinados, autoritários. Mas, para dirigi-los existem os educadores que têm o dever de reagir contra tais tendências altamente prejudiciais, por arrastarem ao egoísmo.

Alcance uma vida inteligente - Por Olga Brandão de Almeida

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A vida é para a criatura o maior dos bens, por isso todos têm o dever não só de conservá-la como garantir-lhe a maior segurança. Não basta, porém, tratar da sobrevivência do corpo físico, mas também cuidar do moral que se refere à personalidade.

Quando a pessoa deixa de sentir o valor da vida já está dominada pelas forças que debilitam: é um morto moral, o que equivale a um suicida.

Mas o fato de abster-se de destruir a existência não satisfaz. É necessário torná-la mais agradável, o que se consegue por meio de um esforço contínuo e paciente; é preciso torná-la mais profícua, o que se conquista conhecendo-se como força e matéria.

Essa força de que se precisa para viver resulta da vontade que se desenvolve cada vez mais e se revela pela capacidade de enfrentar os obstáculos com ânimo forte e suportar a fadiga e os desgostos sem desânimo.

Enxerguemos nossos erros - Por Olga Brandão de Almeida

Muitos conflitos seriam evitados, se a pessoa se esclarecesse. A falta de esclarecimento é comparável aos óculos de lentes róseas, que só apresentam as formas bonitas de um céu ameaçador. O esclarecimento faz com que o indivíduo procure não só a origem, como a causa de seus próprios pensamentos e ações.

Infelizmente ainda há muita gente que, teimando em não reconhecer suas falhas e fraquezas, as atribui aos demais ou à natureza das coisas. É a maneira mais cômoda de fugir às responsabilidades e encobrir os defeitos.

Quantas vezes, ao executar mal o trabalho, a criatura descarrega, inteiramente, a culpa em tudo que lhe vem à mente, sendo incapaz de sentir que a deficiência está em si mesma.

A vida cotidiana apresenta os mesmos aspectos: quando alguém pratica o mal ou faz algo errado, a ação é quase sempre projetada em qualquer pessoa ou coisa. É tão fácil criticar os erros alheios quanto difícil enxergar os próprios! Mas, se projetar aos demais erros e deficiências é tão comum que chega a tornar-se um ato inconsciente, convém refletir antes de fazer qualquer julgamento.

Aproveitemos nossas energias - Por Olga Brandão de Almeida

O ser humano tem vários recursos mentais para bem dirigir-se, mas nem sempre sabe utilizá-los.

O pensamento é o mais importante. Através dele, sob a forma de recordações, a pessoa vê fatos passados. Por que não encará-los como experiência e conservá-los ou transformá-los para realizações futuras?

Para isso, entretanto, é preciso ter vontade, é importante saber que o desejo de realizar alguma coisa é uma força e, como tal, não desaparece e deve ser aproveitada.
As grandes descobertas científicas, que bem provam a evidência dessa afirmativa, nada mais são que uma vontade forte e persistente a dirigir a inteligência.

Uma vontade não satisfeita é capaz de alterar o caráter.
Inúmeras são as pessoas que, por não realizarem a vocação, desajustam-se para o resto da vida, se não tiverem a clarividência de pôr em ação a individualidade, superando a situação.