Educação não consiste apenas em boas maneiras, é algo mais amplo, mais profundo, porque envolve o desenvolvimento da vontade, os problemas da saúde física, da higiene mental, da formação moral. Olga Brandão de Almeida

A educação – II – Por Por Olga Brandão Cordeiro de Almeida

A educação surte efeito quando se atende às necessidades do desenvolvimento da criança, o qual se baseia não só no campo material como no espiritual. É trabalho árduo que exige um ambiente de segurança e afeição capaz de proporcionar ao educando não só bem-estar como confiança nos ensinamentos que recebe.

Com tal objetivo, todas as experiências significativas devem ser aproveitadas, porque darão oportunidades de atitudes construtivas e possibilidades de superior ajustamento à vida. Com tal propósito, conseguir-se-á que a criança desenvolva, aos poucos, adaptação ao meio e crie coragem que lhe forneça confiança em si.

Coisa muito importante na vida é a adaptação ao grupo não só familiar como social. Urge que a criança não adquira o mau hábito de mentir, caluniar e pôr à frente os sofrimentos recebidos.

Maledicência é um vício tão prejudicial como o fumo, o jogo e o álcool. Desgasta a calma e tira a alegria de viver.

O assunto principal nas reuniões familiares deve visar atividades significativas, comentários de leituras interessantes, de filmes ou peças teatrais a que tenham assistido, mas nunca intriga e maledicência cujos efeitos são sempre desastrosos.

A vida não deve consistir apenas na luta contra os outros, nem na situação de ver em cada pessoa um inimigo, mas na paz interior, independente de tudo e de todos.

Só possui domínio sobre si quem consegue serenidade, tão necessária ao meio ambiente.

Através da distribuição das tarefas diárias e da participação nas horas de folga, estabelece-se entre pais e filhos, entre professores e alunos, uma camaradagem muito eficiente em educação.

A atitude dos pais tem forte repercussão no comportamento dos filhos. Substituir o ódio e a vingança pelo amor à vida e a tudo de bom e belo que ela oferece; auxiliar os mais fracos; aproveitar o máximo do valor de cada um; colocar os interesses do grupo acima das ambições pessoais, tudo isso é exemplo que deve partir dos adultos.

Cada criatura é um conjunto de força e matéria. A força é o espírito que dirige sentimentos, pensamentos assim como ações. É o chefe invisível, mas que se revela pelas múltiplas forças ativas. Quando se perturba, a vida perde o equilíbrio.

O indivíduo age quando obedece aos impulsos do espírito e reage quando cede às solicitações do mundo exterior.

Normal é a vida se o espírito suplanta a matéria.

A educação espiritual se revela por uma disciplina espontânea que aceita as imposições da vida.

O sistema de ouvir as aulas e decorar as lições é trabalho puramente material, mas o hábito de refletir, tirar conclusões e criar é tarefa espiritual.

A vida hodierna vem atingindo grande progresso material que exerce poderosa influência especialmente na mocidade.

O jovem de hoje tem muita coisa a sugestioná-lo. Rádio, cinema, televisão, competições desportivas lhe despertam desejos nem sempre realizáveis e ele se torna um insatisfeito. Transforma-se num ser dispersivo com a vida tumultuosa que tem de enfrentar. Perturba-se de tal modo, que não sabe bem o que quer. É incapaz de renunciar a tudo que impede possibilidades de êxito. Não suporta mais o silêncio, o recolhimento e vive em busca de prazeres, conforto e luxo. A propaganda fascina-o!

Mas o espírito se alimenta de silêncio e meditação e, por isso, a educação espiritual deve começar no berço.

O bebê será conservado num ambiente calmo e silencioso. Quanto mais tenra a idade, maior a necessidade de ouvir falar em surdina para não despertar o espírito antes do tempo.

Se a coragem é a base dos elementos que formam a personalidade, educar pela coragem é obra de tão grande alcance, que merece admiração.

Repetir por toda a vida as tarefas diárias sem tédio nem fadiga é exemplo de coragem que, embora material, impressiona favoravelmente os filhos. Lutar contra o egoísmo, não exigir recompensas, resistir às injustiças com bom humor e compreensão; possuir vontade firme que vise o bem comum, tudo isso é coragem moral de cujo exemplo tanto carece a juventude.

Que desânimo não envolverá a vida dos que vão envelhecendo sem conseguir renovar as forças de trabalho e sofrimento por não terem sido bem orientados! Que sombras de tristeza não cobrirão os rostos dos que, nos últimos anos de existência, aguentam o peso do espírito cheio de vícios! Que vazia não deve ser a vida dos velhos que, por não terem aprendido a adaptar-se ao grupo, não possuem amigos!

A educação – II
Por Olga Brandão Cordeiro de Almeida