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Com tal objetivo, todas
as experiências significativas devem ser aproveitadas, porque darão
oportunidades de atitudes construtivas e possibilidades de superior ajustamento
à vida. Com tal propósito, conseguir-se-á que a criança desenvolva, aos poucos,
adaptação ao meio e crie coragem que lhe forneça confiança em si.
Coisa muito importante na
vida é a adaptação ao grupo não só familiar como social. Urge que a criança não
adquira o mau hábito de mentir, caluniar e pôr à frente os sofrimentos
recebidos.
Maledicência é um vício
tão prejudicial como o fumo, o jogo e o álcool. Desgasta a calma e tira a
alegria de viver.
O assunto principal nas
reuniões familiares deve visar atividades significativas, comentários de
leituras interessantes, de filmes ou peças teatrais a que tenham assistido, mas
nunca intriga e maledicência cujos efeitos são sempre desastrosos.
A vida não deve consistir
apenas na luta contra os outros, nem na situação de ver em cada pessoa um
inimigo, mas na paz interior, independente de tudo e de todos.
Só possui domínio sobre
si quem consegue serenidade, tão necessária ao meio ambiente.
Através da distribuição
das tarefas diárias e da participação nas horas de folga, estabelece-se entre
pais e filhos, entre professores e alunos, uma camaradagem muito eficiente em
educação.
A atitude dos pais tem
forte repercussão no comportamento dos filhos. Substituir o ódio e a vingança
pelo amor à vida e a tudo de bom e belo que ela oferece; auxiliar os mais
fracos; aproveitar o máximo do valor de cada um; colocar os interesses do grupo
acima das ambições pessoais, tudo isso é exemplo que deve partir dos adultos.
Cada criatura é um
conjunto de força e matéria. A força é o espírito que dirige sentimentos,
pensamentos assim como ações. É o chefe invisível, mas que se revela pelas
múltiplas forças ativas. Quando se perturba, a vida perde o equilíbrio.
O indivíduo age quando
obedece aos impulsos do espírito e reage quando cede às solicitações do mundo
exterior.
Normal é a vida se o
espírito suplanta a matéria.
A educação espiritual se
revela por uma disciplina espontânea que aceita as imposições da vida.
O sistema de ouvir as
aulas e decorar as lições é trabalho puramente material, mas o hábito de
refletir, tirar conclusões e criar é tarefa espiritual.
A vida hodierna vem
atingindo grande progresso material que exerce poderosa influência especialmente
na mocidade.
O jovem de hoje tem muita
coisa a sugestioná-lo. Rádio, cinema, televisão, competições desportivas lhe
despertam desejos nem sempre realizáveis e ele se torna um insatisfeito.
Transforma-se num ser dispersivo com a vida tumultuosa que tem de enfrentar.
Perturba-se de tal modo, que não sabe bem o que quer. É incapaz de renunciar a
tudo que impede possibilidades de êxito. Não suporta mais o silêncio, o
recolhimento e vive em busca de prazeres, conforto e luxo. A propaganda fascina-o!
Mas o espírito se
alimenta de silêncio e meditação e, por isso, a educação espiritual deve
começar no berço.
O bebê será conservado
num ambiente calmo e silencioso. Quanto mais tenra a idade, maior a necessidade
de ouvir falar em surdina para não despertar o espírito antes do tempo.
Se a coragem é a base dos
elementos que formam a personalidade, educar pela coragem é obra de tão grande
alcance, que merece admiração.
Repetir por toda a vida
as tarefas diárias sem tédio nem fadiga é exemplo de coragem que, embora material,
impressiona favoravelmente os filhos. Lutar contra o egoísmo, não exigir recompensas,
resistir às injustiças com bom humor e compreensão; possuir vontade firme que
vise o bem comum, tudo isso é coragem moral de cujo exemplo tanto carece a
juventude.
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Que desânimo não
envolverá a vida dos que vão envelhecendo sem conseguir renovar as forças de
trabalho e sofrimento por não terem sido bem orientados! Que sombras de
tristeza não cobrirão os rostos dos que, nos últimos anos de existência, aguentam
o peso do espírito cheio de vícios! Que vazia não deve ser a vida dos velhos
que, por não terem aprendido a adaptar-se ao grupo, não possuem amigos!
A educação – II
Por Olga Brandão Cordeiro
de Almeida
Fonte: Livro Caminhos Certos