Educação não consiste apenas em boas maneiras, é algo mais amplo, mais profundo, porque envolve o desenvolvimento da vontade, os problemas da saúde física, da higiene mental, da formação moral. Olga Brandão de Almeida

Conceito de Casamento - Por Olga Brandão de Almeida

Quem pensa não casa” é adágio que não tem significação para a pessoa esclarecida.

O indivíduo que procura compreender-se e adquirir conhecimentos sobre a ciência da vida e projetá-los em outro não escolherá a esmo. A atração espontânea e durável só existe entre dois seres que tenham afinidades, embora situados em planos diferentes.

O casamento cria entre dois seres não só laços biológicos como espirituais. Cada cônjuge, sem ferir individualidade e autonomia, forma no outro, com o acréscimo que lhe oferece, uma pessoa humana completa, com maior personalidade.

Unir-se a uma pessoa pelo matrimônio é fazer penetrar em si e nela uma nova forma de sentir, agir e realizar. No ser total, marido e mulher, surgirão novos hábitos, diferentes reações psicológicas. É uma verdadeira integração que apresenta maiores ou menores dificuldades, crises e conflitos parcial ou totalmente superados por um constante esforço e boa vontade. E não é em pouco tempo e sem paciência e perseverança que se processa a fusão de duas individualidades. Esse longo esforço de duas pessoas, conservando cada uma consciência cada vez mais lúcida, é que firma o amor conjugal.

O casamento constitui uma nova e importante experiência da vida. Mas a vida representa uma série de situações mais ou menos complexas que exigem dos seres humanos dominação serena e consciente. Conclui-se, então, que o matrimônio concorre para a evolução do espírito na sua passagem pela Terra.

Individualidade é a maneira pela qual se molda uma experiência, e os sentidos, embora deficientes, fixam na alma as impressões recebidas, as quais ficam retidas na memória, integram-se ao ser, dando-lhe a consciência do que é. Corpo e espírito estão, pois, intimamente ligados do começo ao fim da existência terrena. E vão passando por transformações, fases de desenvolvimento até formar a personalidade real e consciente. Somente essa união de corpo e espírito com uma única consciência é capaz de criar a pessoa humana.

Se a matéria é o reflexo do espírito, a união conjugal se torna sólida quando existe uma atração em que se ligam indissoluvelmente os elementos carnal e espiritual. A admiração por uma pessoa virtuosa e inteligente não será amor se não houver o desejo de unir-se a ela, o prazer que lhe causa olhar o rosto, ouvir o timbre de sua voz, a forma do corpo e até a sua maneira de trajar-se. Mas também será impossível a união sem que haja confidências, oferecimento do que possui cada um de seu íntimo: sensibilidade, pensamento, vida interior. Havendo apenas exaltação física, os laços matrimoniais serão frouxos e não impedirão que dois seres voltem à vida solitária. Quem se casa rompe com a liberdade individual, mas diz adeus à solidão.

Não pode haver momento mais solene e importante na vida que o do casamento.

A assinatura do ato é uma palavra fecunda, porque representa o momento em que dois seres se unem para dar vida a um terceiro; é uma palavra empenhada de duas vidas que se integram para, com nova personalidade, ocupar importante papel no destino do mundo.
Longe de constituir um passatempo sexual, sentimental ou social, é o compromisso de um plano para nova forma de vida humana, constituída de duas individualidades de sexos diferentes.

A partir desse momento, o casal não mais poderá ser encarado separadamente, não mais se separará, sem graves prejuízos. Conservará um estado de espírito adulto: vontade de criar, senso de responsabilidade e esforço, associados à aceitação de sofrimento e sacrifício inevitáveis, mas fecundos.

Conceito de Casamento
Por Olga Brandão Cordeiro de Almeida

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